Em isolamento mas não em solidão

…porque o amor não está em quarentena

ROMANCE

 

Todo e qualquer relacionamento possui uma fase inicial a que chamamos de Romance; outros poder-lhe-ão chamar a fase do namoro, outros ainda, a fase da paixão. Todas estas maneiras de caracterizar o início das relações entre o casal tendem a ser isso mesmo, uma fase inicial. A sociedade insiste mesmo em aceitar que esta fase é estanque no tempo; que o namoro termina com o Casamento, ou que a paixão não dura mais que um ano ou ainda que só se vive um determinado romance enquanto houver “química” e que esta dura pouco. Nós acreditamos que no relacionamento de casal este romance pode perdurar no tempo, em contínuo ou de forma cíclica. Acreditar que o romance se estabelece no dia-a-dia de forma regular no tempo poderá ser um pouco utópico, mas acreditar que ele se estabelece sempre que nós quisermos, pode fazer sentido. Há aqui, portanto, duas vertentes: uma delas apela para que o romance experimentado por nós nos primeiros tempos possa ser um património nosso, comum e que está sempre à nossa disposição para que dele disponhamos para recentrar a nossa relação e a outra apela para que tenhamos a consciência de que a relação não se vive de forma linear mas de forma sinusoidal, isto é, com altos e baixos. Diríamos, portanto, que o nosso romance não é apenas o início, mas antes o início, o meio e o fim. E o romance só se (re)vive se respeitamos as diferenças e aceitamos as imperfeições, isto é, se acolhemos e aceitamos os sentimentos do outro, sem criticar, sem fazer juízos e sem dar concelhos. Só desta forma conseguiremos comunicar. E sem diálogo, não há romance.

 

DESILUSÃO

 

No relacionamento entre o casal, muitas s(er)ão as ocasiões em que nos sentimos desiludidos. Desiludidos connosco e desiludidos com o outro. No romance experimentamos o sonho de sermos felizes porque acreditamos que isso é possível; quando estamos em desilusão o sonho desvanece-se. Perdemos a frescura e o entusiasmo. Para muitos casais o fim do romance significa o fim da relação. E um dos caminhos poderá ser então abandonar o meu sonho e tornar-me realista, o que significa conformar-me com aquilo que a sociedade me “impõe” e essa imposição não é certamente a de uma relação duradoura. O diálogo fica difícil, não consigo perceber o que o outro sente e porque o sente. Será certo que me irei refugiar no que quer que seja fora relação (hobbies, redes sociais, etc.). Mas o pior mesmo, é deixar de ficar atento ao que verdadeiramente me faz sentir completo e feliz: o aconchego em casal! No entanto, a desilusão não tem necessariamente que ser irreversível. A desilusão pode não ser apenas um problema, pode ser também uma oportunidade de rever e reinvestir na relação de casal.

 

RECONCILIAÇÃO

 

Assim, como os restaurantes tradicionais, devido à Covid-19, se reconverteram em take-away, também em casal podemos transformar, através da decisão de amar o outro (apesar de nem sempre estar de acordo com ele), uma relação apenas de paixão, numa relação de cumplicidade e aliança. Somos pessoas livres e responsáveis. Por isso, temos sempre a liberdade de escolher qual o caminho a seguir. Optar pelo amor, não é uma imposição ou um capricho, mas uma decisão livre. Amar é muito mais do que sentir-me atraído por alguém. Tomar a decisão de amar significa decidir comunicar contigo. A decisão de amar implica que eu fale de mim mesmo e que escute o outro ao nível dos sentimentos, que eu seja terno(a)… Mas para isso é preciso saber pedir perdão e perdoar. É preciso voltar a viver a experiência da intimidade e a confiar cegamente na capacidade que o outro tem de nos aceitar. Isto significa voltar a acreditar e, principalmente, voltar a sonhar. Sou eu o responsável por fazer o outro feliz. Se todos pensássemos assim, as relações de casal teriam sempre uma segunda oportunidade.

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